Junho. 21. 2023

Migração do IPv4 para o IPv6: como está sendo na América Latina

O IPv6, a versão mais recente do protocolo de internet, representa uma das mudanças mais importantes na história da Internet. Esta nova versão garante que a importante rede de redes continue a crescer e a se desenvolver de forma segura.

Para melhor compreender o cenário da transição de IPv4 para IPv6 na América Latina, é muito importante saber do que se trata essa mudança e como ela pode afetar uma organização e até mesmo um país.

O que é um endereço IP?

O Protocolo de Internet, também conhecido pela sua sigla IP, é uma representação numérica criada de forma única para identificar uma interface específica em uma rede. Em outras palavras, para se conectar à rede, todo equipamento, desde seu computador pessoal até a geladeira inteligente, deve possuir um número de endereço IP que o identifique, e assim, possa enviar e receber dados.

Atualmente, existem duas especificações para endereços IP: IPv4 e IPv6.

IPv4

O sistema IP foi desenvolvido há mais de 40 anos (em 1981) por um dos grandes contribuidores para o desenvolvimento da Internet, o cientista Jon Postel. Esta versão é representada por números decimais de 32 bits e oferece um pouco mais de quatro bilhões (4,29) de endereços IPv4 possíveis para uso. Um endereço IPv4 tem a seguinte aparência: 172.168.10.1

IPv6

Esta é a versão mais recente do protocolo, desenvolvida em 1998 pela IETF (Internet Engineering Task Force) e ratificada como padrão em 2017. O endereço IPv6 é composto por 128 bits, com uma notação hexadecimal de 32 dígitos, o que permite mais combinações de números, resultando em um número único para cada conexão. Os endereços IPv6 suportariam até 340 undecilhões de endereços possíveis, o que atenderia à demanda atual. Um endereço IPv6 pode ser visualizado da seguinte forma: 2001:123:4:ab:cde:3403:1:63

Por que adotar o IPv6

A resposta é simples. Se não adotarmos esta tecnologia, nossa rede em breve não conseguirá mais se conectar.

É preciso ter em mente que, devido às suas estruturas distintas, essas duas tecnologias não são compatíveis, portanto, não é possível a comunicação direta entre IPv4 e IPv6, o que gerou uma urgência em promover a adoção da tecnologia mais recente.

Esgotamento de endereços IPv4

Na década de 80, 4,29 bilhões de endereços IP pareciam ser suficientes para atender a uma gigantesca rede de conexões; no entanto, a escassez de IPv4 começou a ser sentida em 2015 devido ao crescimento desenfreado das conexões de Internet.

Internet das Coisas

O rápido crescimento da Internet e seu uso para dispositivos IoT (Internet das Coisas) tornaram-na insuficiente para atender ao número de dispositivos que atualmente se conectam à Internet. Hoje, o computador doméstico não é mais o único dispositivo que se conecta à internet. Com o alto nível de digitalização, em casa, temos mais de um computador, e eletrodomésticos como a geladeira, a máquina de lavar e até as luzes de sua casa podem estar conectados à internet. A Internet das Coisas também auxiliou significativamente diversos negócios, como a agricultura, onde é possível instalar sensores para monitorar o status de plantações ou rebanhos; o setor de saúde, comércio, etc.

Em 19 de agosto de 2020, o LACNIC, organização oficial responsável pela gestão de IPs para a América Latina e o Caribe, informou oficialmente a reserva do último bloco de endereços IPv4, encerrando as fases de esgotamento do IPv4 e fazendo um importante apelo às organizações para acelerar a implementação do IPv6 na rede.

Lenta adoção do IPv6

Desde 2011, o mundo inteiro tem trabalhado para mudar os endereços IP de IPv4 para IPv6, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Tudo começou com o Dia Mundial do IPv6, que ocorreu em 8 de junho de 2011, onde, por meio de uma iniciativa da Internet Society (ISOC), foi realizado um teste técnico para promover a implementação do IPv6 com mais de 400 empresas.

O Google criou uma página exclusiva para monitorar de perto a adoção do novo protocolo IPv6, que, até o primeiro semestre de 2021, registrava 34,68% de adoção global.

No caso específico da América Latina, México e Brasil lideram a taxa de adoção de IPv6 com 40,62% e 38,38% respectivamente, mas muitos países ainda apresentam uma baixa taxa na adoção da nova tecnologia, como Venezuela e Chile, com apenas 0,41% e 1,92% respectivamente.

IPv4 para IPv6: Como se Preparar na América Latina

Embora a adoção plena do IPv6 na América Latina ainda leve algum tempo, questões de compatibilidade já são uma realidade. Esta tecnologia está se aproximando rapidamente, e hoje, o conhecimento e profissionais qualificados são escassos. Portanto, agora você sabe, se você atua no universo da Internet e telecomunicações, é fundamental que você comece a preparar sua empresa desde já e busque serviços de provedores de infraestrutura compatíveis com essas duas tecnologias, IPv4 e IPv6.

No caso da EdgeUno, por exemplo, graças à capacidade e ao serviço Dual-stack, é possível que todos os nossos clientes operem perfeitamente com ambos os formatos de IP e façam com que seu conteúdo chegue a todos os usuários sem problemas.

Se você deseja saber mais sobre a migração de IP e como preparar sua empresa, não hesite em entrar em contato conosco.